A Faixa do Cidadão no Brasil: Regulamentação, Limites e Comparação Internacional

A Faixa do Cidadão (CB – Citizen Band) no Brasil compreende os canais entre 27.415 e 27.855 MHz e exerce um papel relevante na comunicação não profissional. Em sua concepção original, essa faixa buscou permitir o contato direto entre cidadãos sem fins comerciais. No entanto, o modelo regulatório brasileiro impõe limites que geram controvérsias técnicas, operacionais e sociais.

Neste artigo, analisamos a normatização da Faixa do Cidadão no Brasil e, ao mesmo tempo, a comparamos com os modelos adotados em países como Estados Unidos e Reino Unido, onde a comunicação cidadã segue caminhos mais abertos e funcionais.


Origem e Regulamentação da Faixa do Cidadão no Brasil

A formalização dos canais acima do canal 40 surgiu da necessidade de organizar o espectro radioelétrico, reduzir interferências e promover maior previsibilidade no uso das frequências. Nesse contexto, o poder público estruturou a ampliação da faixa com foco no controle técnico e na separação de serviços.

Entretanto, esse modelo acabou criando um ambiente excessivamente restritivo. A regulamentação limita o uso da Faixa do Cidadão exclusivamente a cidadãos brasileiros e, dessa forma, impede a comunicação direta com operadores de outros países. Como resultado, o alcance social da CB se reduz e seu caráter originalmente universal perde força.


Impactos das Restrições no Uso da Faixa do Cidadão

As restrições brasileiras produzem efeitos claros sobre a dinâmica da comunicação. Ao impedir o intercâmbio internacional, o sistema isola o operador nacional, restringe o fluxo de informações e reduz oportunidades de aprendizado técnico e cultural.

Além disso, a segmentação excessiva transforma a Faixa do Cidadão em um espaço fragmentado. O potencial de cooperação espontânea, típico desse tipo de serviço, enfraquece quando barreiras legais substituem a lógica natural da comunicação aberta.


Como Funciona a Faixa do Cidadão nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a Faixa do Cidadão opera sob uma filosofia mais permissiva. O regulador prioriza o uso amplo, direto e acessível, permitindo que cidadãos se comuniquem livremente dentro de regras técnicas básicas.

Assim, o modelo norte-americano incentiva:

  • Troca de informações em tempo real
  • Comunicação entre viajantes, caminhoneiros e comunidades locais
  • Integração espontânea entre operadores

Como consequência, a CB mantém vitalidade, relevância social e uso contínuo.


O Modelo do Reino Unido e a Comunicação Cidadã

De forma semelhante, o Reino Unido adota uma abordagem regulatória que favorece a flexibilidade operacional. O sistema respeita limites técnicos, mas evita sufocar o uso cotidiano da faixa.

Com isso, a Faixa do Cidadão integra comunidades, conecta pessoas e funciona como uma rede complementar de comunicação. Esse ambiente regulatório fortalece a percepção da CB como um instrumento social, e não apenas como um serviço tolerado pelo Estado.


O Descompasso do Modelo Brasileiro

Quando comparado aos modelos internacionais, o sistema brasileiro demonstra um claro descompasso. A limitação por nacionalidade não acompanha a realidade de um mundo interconectado, no qual a comunicação ultrapassa fronteiras físicas e políticas.

Nesse cenário, o Brasil reduz:

  • O intercâmbio cultural
  • O aprendizado técnico informal
  • A atratividade da Faixa do Cidadão para novos usuários

Esses fatores levantam questionamentos consistentes sobre a eficácia e a atualidade da norma vigente.


Comunicação, Integração e Atualização Regulatória

A Faixa do Cidadão surgiu como um espaço de comunicação acessível e democrática. Em muitos países, ela ainda cumpre esse papel de forma plena. No Brasil, porém, o excesso de limitações compromete essa vocação.

Diante disso, uma revisão regulatória poderia:

  • Tornar o serviço mais inclusivo
  • Estimular o uso consciente e responsável
  • Reaproximar o Brasil das práticas internacionais

Comunicar-se é uma necessidade humana básica. Portanto, a Faixa do Cidadão deve refletir essa realidade e promover conexão, troca e colaboração.


A Faixa do Cidadão brasileira mantém relevância técnica e histórica. Ainda assim, enfrenta desafios regulatórios significativos. A comparação com Estados Unidos e Reino Unido evidencia que modelos mais abertos produzem resultados mais eficientes e socialmente úteis.

Ao repensar suas restrições, o Brasil pode transformar a CB em um ambiente mais moderno, integrado e alinhado às demandas contemporâneas. A comunicação não deve ser limitada por fronteiras artificiais quando o próprio espectro existe para conectar pessoas.


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